Mulheres merecem símbolos! A sociedade e as empresas ainda precisam deles…

Caio Ferracina

Mulheres merecem símbolos! A sociedade e as empresas ainda precisam deles…

Estou realmente gostando dessa rotina de produzir conteúdos sobre o que penso ou vivi com Comunicação nas empresas. E não tive dúvidas sobre qual conexão fazer nessa semana…

Só que antes vou começar com uma frase de Ernest Hemingway: “Para escrever sobre a vida, primeiro você deve vivê-la”. É por isso que hoje vou falar sobre mulheres e a importância dos simbolismos na vida cotidiana. Afinal, só tive gestoras e trabalhei com outras tantas mulheres incríveis, a esmagadora maioria.

Mas não só hoje vou falar delas. Quando falei sobre a Copa América ou sobre Tarsila do Amaral, também falei delas e para elas! E se falar do Rei Leão (spoiler alert para a próxima semana ;)) ou de física quântica (não tenho essa pretensão…hehe), também falarei delas e para elas. Por quê? Porque o mundo de Comunicação nas empresas é delas. E ainda bem: porque muitas dessas áreas têm que se provar a todo momento como estratégicas; fundamentais para transformações; que são mais que um departamento, mas uma célula que transforma pessoas e não só empurra informação para elas!

Alguém aqui tem alguma dúvida que não sou o primeiro ser humano a usar “mulheres” e “ter que se provar a todo momento” em um mesmo discurso?

E essa representatividade das mulheres na Comunicação não é achismo meu. A Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE) confirma isso: 69% dos cargos de liderança na comunicação corporativa no Brasil são ocupados por elas! Maaaaas… quando subimos para os cargos de Diretoria ou Vice-presidência, o número cai para 45%.

Enfim, poderia discorrer aqui por laudas e laudas sobre essas disparidades, até porque acredito que homens falando e, principalmente, praticando o que falam, podem ajudar nessa mudança de cenário. Qual mudança? Em que a gente não precise mais falar sobre o quanto mulheres transformam as companhias e que nenhuma função é inerente ao gênero, nem a da Comunicação.

Para começarmos nossas conexões (você vem comigo??), quero antes fazer um fechamento, sem juízo de valor ou opiniões; apenas um fato: companhias, com pelo menos uma mulher em seu time de executivos, são mais lucrativas! Pelo menos na América Latina… Conforme dado do estudo da McKinsey, noticiado pelo Valor Econômico, sobre diversidade em empresas latino-americanas, comparando gênero e dados financeiros.

Os símbolos chamados Princesa Jasmine, Betty e Megan Rapinoe

“Don’t you underestimate me / ‘Cause I know that I won’t go speechless”. Essa frase poderia ser muito bem de Megan Rapinoe, a craque e artilheira do futebol feminino norte-americano, que levantou a mesma quantidade de troféus e bandeiras pelo respeito às mulheres. Mas essa frase é da Princesa Jasmine. Sim, da linda história de Aladdin da Disney.

E aqui retomo para você a conexão de hoje: a sociedade e as empresas precisam de símbolos! As mulheres não precisam, apenas merecem.

Nesse meu período de transição de trabalho na carreira pude acompanhar a Copa do Mundo de futebol feminino e ainda ir aos cinemas para me emocionar com Aladdin e Toy Story 4. E então a ficha caiu: esses simbolismos são fundamentais para a transformação que o mundo vem passando (e vai passar, independente de pensamentos e líderes conservadores)!

Quantas mulheres evoluíram em suas casas, em suas empresas ou simplesmente para elas mesmas? Eram como Betty, de Toy Story, personagem marcante como a pastorinha de ovelhas, mas coadjuvante e fofa; e que deram um salto de protagonismo, com atitude, postura, relevância, voz ativa para dizer ao personagem principal “I lead, you follow”, e até mesmo para mudar a forma de se vestir e mostrar seu poder. (E se não quiserem perder a “fofura”, que não a percam…)!

E quanto às meninas? Cada dia mais as crianças sabem o que querem; o que não sabem, é como aos poucos podem (e estão) construindo uma sociedade diferente. O que mais eu posso dizer? Nada. A “pequena grande” Madison Jade dirá por mim e por meninas como ela: “<You don’t need a boy to take you to see the whole world”.

Comunicação não cria os simbolismos, mas tem a oportunidade de disseminá-los

Então a realidade das mulheres nas empresas e na sociedade vai mudar? É uma questão de tempo? Não precisamos fazer nada, a Disney fará por nós? É evidente que não!

Ficar alheia a esses movimentos da sociedade é uma opção da Comunicação nas empresas. Mas não espere grandes transformações! E se você não espera transformações, você está na cadeira errada.

Hoje em dia, profissionais buscam por propósito, valorizam uma experiência dignificante em suas carreiras e querem ter a certeza que estão inseridos em culturas conectadas aos seus valores nas empresas. Como o comunicador pode ajudar nisso? Por meio dos simbolismos!

A Comunicação não vai criar histórias focadas em mulheres inspiradoras, mas tem habilidades de provocar para que elas aconteçam internamente e externamente. O comunicador tampouco vai levantar bandeiras ou fazer propaganda apenas, mas pode questionar a realidade das mulheres na companhia e promover discursos mais coerentes. Lembre-se: se a sua empresa está deixando de prosperar e crescer por falta de informação ou falta de diálogo, a responsabilidade – maior ou menor – passa por você, na Comunicação.

E quanto a esses simbolismos? No melhor dos mundos, você se conecta a boas histórias de pessoas que trabalham na sua empresa, usa o protagonismo de mulheres para disseminar os reais valores da companhia que trabalham e, de quebra, gera engajamento e valor para a marca empregadora.

Mas lembre-se! Não do que eu falei, mas do que Rapinoe falou em seu discurso da vitória. Se conecte com “as meninas de cabelo roxo, cabelo rosa, com tatuagens, dreadlocks. Meninas brancas, meninas negras… Meninas hétero, meninas gays…”. Vamos “descer do tapete mágico” de entrevistar só as Diretoras e Vice-presidentes… Histórias de sucesso, histórias que tocam, Jasmines, Bettys podem estar em todo o lugar na sua empresa! Ao infinito… e além nessa transformação.

Sobre o Autor
Caio Ferracina tem mais de 12 anos de experiência em Comunicação Interna, com passagem por C&A e Grupo Santander. Formado em Jornalismo (Cásper Líbero) com Pós Graduação em Administração de Empresas (FAAP - SP), é especialista em conteúdo e adequação de linguagem para canais e atua na gestão e execução de soluções estratégicas co-construídas para projetos e materiais com foco em cultura, engajamento, diversidade, sustentabilidade e marca.
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